sábado, 20 de julho de 2013

Para Rafa - página 3

Querida Rafa,

Ouvindo Raimundos me lembrei de algumas coisas...
Espero que ao ler isso aqui, você tenha idade suficiente para não ficar chocada com algumas coisas... Não se preocupe, não vou contar nada demais rs
Bom, me lembro que da época em que eu morava com a sua mãe... Lá vem a história...
Um colega de classe sugeriu um breve encontro entre a galera da turma. E por alguma razão do destino, tinha que ser na minha casa. Combinei com as meninas. A ideia era ser umas quatro pessoas da minha turma além das 10 meninas que já moravam conosco.
No final das contas, as pessoas envolvidas no evento, ultrapassavam o número 20 ... com certeza.
Mas a melhor parte eu não te contei: Maria. A proprietária da casa, que moravam tipo ... do lado. Aterrorizava a vida estudantil, atormentando e perseguindo pobres estudantes que só queriam estudar e jogar conversa fora nas horas vagas.
O número de pessoas naquela humilde casa, estava um pouco excedido. Um de meus amigos, as onzes horas da noite, decidiu colocar um CD dos Raimundos. Deu merda.
Resumo: enquanto ela gritava dizendo que ia chamar a polícia, nós fugimos pelo portão lateral. Não demorou muito para ela pedir que nos mudássemos da casa.  Foi uma das melhores coisas que nos aconteceram, mas me senti profundamente culpada.
Me lembrei de uma vez em que por engano, levei a minha numa apresentação dos Raimundos... mas foi sem querer mesmo. Deu merda, deu muita merda. Mas ainda me rende umas boas risadas.
No dia em que fugimos da tal da Maria, fomos para a Sé... como o tempo passou e a titia Peroba aqui está ficando meio velha, eu não me lembro de mais nada que aconteceu naquela noite, e na verdade... não quero me lembrar.
Mas foi mais ou menos depois desse dia, que resolvemos fazer a Terra de Godah. Nome que com certeza você cresceu ouvindo, eu acho.

Bom, minha linda... por hoje é só.
Até a próxima!

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Para Rafa...

Para Rafa
(página 2)
Querida Rafa...
Nem tudo que eu te contar aqui será sobre a sua mãe. Algumas coisas serão sobre a vida mesmo, e acredito que de alguma maneira serão coisas úteis à você.
É que hoje eu parei para pensar em como você é pequena e como isso é bonito. Nós, adultos e gigantes,já sabemos de muitas coisas. Alguns têm dinheiro, beleza e são muito persuasivos. Mas não há nada que nos encante mais que uma criança. Tudo que uma criança vê, toca ou fala, é novo. São as primeiras impressões que  temos do mundo. Tudo começa na infância.
Os políticos, os heróis da história, os líderes religiosos ou não, as pessoas comuns que andam nas ruas, as pessoas que dormem nas ruas e até mesmo os criminosos ou os que estão presos... também tiveram infância.
E o que será que aconteceu no meio do caminho ? A maioria dessas pessoas, brincaram na terra, fizeram bolhas de sabão, cresceram com as avós, com os pais ou com algum responsável (exceto alguns casos, é claro). Uns brincaram de bolinha de gude, outros brincaram de pega-pega. Alguns se arrebentaram andando de bicicleta, e muitos (inclusive eu e sua mãe - já bem grandinhas), correram depois de tocar uma campainha.
Mas nem sempre toda a felicidade do mundo que temos na infância (ou não) é suficiente para sanar as faltas que temos no decorrer da vida. As pessoas crescem e mudam um pouco. Mas lá no fundo, a maioria de nós (adultos) sentimos falta da nossa infância. As pessoas que mais amávamos estão lá... na nossa infância. Todos vivos e reunidos, fazendo um agrado para nós, enquanto pequenos. E mesmo toda lição que eles tentaram nos passar, não foi suficiente para aprendermos lidar com a nossa vida.
Aproveite cada momento da sua infância e da sua família. São os bens mais preciosos que ganhamos.
Alguns amigos acabam virando nossa família também. E acredite, é lindo ter um irmão ou uma irmã para sorrir e chorar. É por essas e outras que tenho um afeto imenso por vocês.
Ninguém nesse mundo vai conseguir apagar uma lembrança daquilo que seus olhos viram, ou aquilo que você aprendeu. Cada um sabe a história que carrega, lembre-se sempre disso antes de julgar as pessoas: Você não as conhece.Você não sabe de onde veio e nem o que essa pessoa viveu.
Esse é só um parênteses do que você vai aprender por aí ... mas fica a dica.

Até a próxima,

Tia Peroba.




quarta-feira, 26 de junho de 2013

Para a Rafa...

Querida Rafa,

Vou te contar a ocasião em que conheci sua ilustre mãe. Para começar...
Me despedir de minha mãe na rodoviária. Minha mãe, a mulher mais valente e dura que já conhecera até então, estava com os olhos marejados enquanto eu olhava pela janela do ônibus.
Mas enfim, peguei o ônibus e fui rumo à Mariana/ MG. O destino era a UFOP. Mas antes disso eu tinha que ir para a minha nova casa: a República Irmandade. Chegando em Mariana acordei sua mãe as sete da manhã, perguntando como fazia para chegar na república. Detalhe: ELA ODIAVA ACORDAR CEDO.
Ao chegar lá com todas as malas do mundo, fui gentilmente recebida com um sorriso bem falso das sete e meia da manhã. Uma cara de sono fantástica, uma pia com louças mal lavadas e garrafas de cervejas escondidas. mas mesmo assim, coitada, ela me apresentou a casa e apresentou meu quarto.
Eu estava ridícula,  com uma blusa gigante e um tic tac na cabeça. Não contei, mas morávamos à beira de um esgoto, e ao lado da nossa vizinha e proprietária da nossa casa... a odiadora de estudantes educados e reservados: Maria.
Lá estava ela, Brat'z. A negrinha magrelinha e com cabelos de boneca. toda de preto, como sempre, com argolas e piercings nas orelhas, assistindo Ana Maria Braga. Na ocasião, Ana Maria Braga estava imitando uns jovens descolados e tentava inutilmente dançar como eles, Ela não conseguia e era bizarro. Naquela manhã, conheci mais dois amigos de sua mãe. E pela primeira vez, conheci seu sorriso também. Eu não sabia, mas eu meio que te conheci também...
Ela foi simpática e me levou até o R.U. do ICHS (você vai ouvir muitas coisas sobre o ICHS e sobre o "R.U" também) onde conheci minhas colegas e hoje amigas: Pucca, Kalunga, Baby e Barbie.
A pessoa quem você chama docilmente de tia Barbie estava contando como ela teve que trabalhar com bafo de pinga em outras ocasiões. Tia Barbie, Tia Pucca, Tia Kalunga e tia Baby foram as melhores pessoas que conheci naquele dia, e foram e são ótimas amigas.Tem também a tia Mini, mas acho que não a conheci naquele dia.
A sua mãe era uma metaleira toda tatuada que sabia cantar Sandy&Junior como ninguém. Falava de futebol e de Motorhead com os caras... mas quando chegava em casa, dançava ao som de Seu Jorge e balançava a cabeleira fazendo caras e bocas cantando músicas em espanhol.
Desde que a conheci, ela foi e é uma das melhores amigas e pessoas que tive a oportunidade de conhecer.
De vez em quando ela me contava alguma coisa de sua história, de seu passado. Mas sempre guardou seus vários segredos. Percebi que ela tinha uma visão de mundo incrível e que eu poderia aprender muito com ela. e realmente aprendi. Hoje sei fazer macarrão e aprendi que não é bacana passar aquele esmalte com brilho de purpurina nas unhas. Não é descolado, mas cantar Sandy&Junior sim...
Então... fomos para os Rock's e ... aprendi muitas coisas... Me diverti muito com ela. E dá uma saudade da nossa vida de Mariana.
Toda a possibilidade de continuar nossa amizade "a la Mariana" foi brevemente interrompida. Tanto para ela, como para mim. Sua mãe voltou para casa mais cedo. E mais tarde, foi a minha vez. Não lamento por nada disso. Tanto eu, quanto ela, tivemos uma oportunidade mestra de ver e sentir coisas que antes não sabíamos existir. Ela, aprendendo sobre uma nova vida... e eu, aprendendo sobre a morte. Hoje temos um presente lindo que a vida deu... você. E você não faz a menor ideia de o quanto você nos fez crescer e do quanto você fez sua mãe sorrir.
Hoje você tem dois anos e já é mais esperta que eu. Sim, você é. Mas logo que você começar a ler (tipo, daqui a dois meses, sua gênia!) você vai ouvir histórias narradas por mim, a tia Peroba.
Histórias de Mariana, histórias minhas, talvez histórias suas... Mas o importante é que eu possa retribuir o presente que ganhei dessa vida... a amizade.

Que a nossa história não seja esquecida, não pelos outros, mas por nós.
CARPE DIEM meninas... Carpe diem.

sábado, 4 de maio de 2013

Uma história.


Quem nunca sonhou com algo ? Qualquer coisa em que valha a pena se sonhar. Qualquer verdade, qualquer mentira.
Quando eu era adolescente, sonhei em estudar em uma Universidade Pública. Um dia, eu consegui. Fiquei feliz, muito feliz. Mas a vida é assim: hora é um sossego, hora um desassossego... e assim vai.
Minha faculdade ficava em Minas Gerais, na cidade de Mariana. No meu segundo semestre de faculdade, recebi uma ligação da minha família. Minha mãe estava doente. Na época ela tinha 42 anos, era alta, alegre e estava cursando sua segunda faculdade. Ficar imaginando sua mãe sem andar de repente, não é nada bom.
Larguei tudo. Tranquei a faculdade, me despedi dos amigos, da cidade linda que é Mariana, e voltei pra casa morrendo de medo. Foi a primeira vez que senti medo do amanhã.
Na rodoviária de Mariana, um amigo foi me acompanhar, deixei escorrer uma lágrima e disse: tenho medo. Ele fez  o que um bom amigo faz, tentou me consolar. E na estrada pra casa, fiquei pensando nas coisas que aconteceriam.
Isso aconteceu ha dois anos atrás. A pessoa que entrou naquele ônibus, não existe mais. Coisas boas e coisas ruins acontecem a todos, todos os dias. E é isso que faz a gente: nossas histórias.
O que vi e vivi vai ser contado aqui, não é pouca coisa ... mas também não há excessos.
Resumindo de maneira geral... aprendi a cuidar de uma mulher doente, com câncer.
Aprendi a viver cada dia, e não a esperar pela morte. Assim a gente vai vivendo e não morrendo. Hoje tenho 22 anos, e por alguns segundos me sinto uma velha ... tão cansada. Mas tenho em mim uma curiosidade gigante, de saber o que vem vindo por aí e por aqui.
Ás vezes escrevo, às vezes leio. Às vezes canto e me encanto, às vezes choro... Às vezes pra tentar esquecer e às vezes para me lembrar.


Que tal fazer um novo final? Porque do meio eu não gostei. E do início, eu nem me lembro mais.

Até a próxima!



quinta-feira, 2 de maio de 2013

Na multidão



Sou só mais uma na multidão


Sou eu

Sou
Sou mais
Sou uma
Sou vós
Sou nós
Sou eu
Sou tua

Eu, singular.


Vou começar contando um sonho que tive. Na verdade, adoraria partilhar todos os meus sonhos por aqui. Quem me conhece, sabe que eu sou a garota dos sonhos estranhos, muito estranhos mesmo. Se algum psicólogo ou psicanalista esbarrar nessas histórias, fique tranquilo: sou doida, mas dentro do padrão. Eu acho.

Sonho - ato 1 (só tem um ato nesse sonho)
Título: Singular.

Encontrei minha irmã mais velha na rua. (que rua? você me perguntaria) Em uma rua aqui do meu bairro. Reparei que minha irmã estava acompanhada por um outra cabeça que dividia o mesmo pescoço que ela (oi?). Só que vocês sabem como são os sonhos... sempre estranhos, nada faz sentido.
Então, eu disse: "Oi La, você está bem ?" E ela respondeu: "Sim, nós estamos" Fiquei meia encucada e disse: "Estamos??" "Sim, estamos" ela respondeu.
Imagina o que passou pela minha cabeça (minha única cabeça)... E logo, entendi. Todas as pessoas da rua estavam acompanhadas. A maioria eram casais mesmo, mas eu nunca reparava ou conversava com a cabeça número 2, era sempre com alguém conhecido que eu prefiro acreditar que era a cabeça número 1.
Enfim, todos eram “plura”. E eu, singular. Fiquei nervosa. Gritei para todas as zilhões de cabeças: " Por que só eu sou singular???" E todos respondiam: " porque você é singular, deeeer. Dois "singular" já é plural.
"Hein?!" Papo estranho, sonho estranho. No fim do sonho eu já havia aceitado que eu era singular. E acordei me sentindo singular. Acho que virou um sentimento, sei lá rsrs. Sempre gostei de independência, de liberdade. Me sentir num grupo, ou assumindo a identidade de um grupo, nunca foi uma característica minha. Mas confesso, me senti muito sozinha no singular. Faz sentido. É singular.

Bom, pretendo aos poucos contar a minha história e os meus sonhos estranhos.
Acho que agora faço parte de um grupo. Parte de um plural. Um grupo de pessoas que escrevem blogs. No meu caso, um blog que ninguém lê. É um blog singular ?
Ok, parei.