Para Rafa
(página 2)
Querida Rafa...
Nem tudo que eu te contar aqui será sobre a sua mãe. Algumas coisas serão sobre a vida mesmo, e acredito que de alguma maneira serão coisas úteis à você.
É que hoje eu parei para pensar em como você é pequena e como isso é bonito. Nós, adultos e gigantes,já sabemos de muitas coisas. Alguns têm dinheiro, beleza e são muito persuasivos. Mas não há nada que nos encante mais que uma criança. Tudo que uma criança vê, toca ou fala, é novo. São as primeiras impressões que temos do mundo. Tudo começa na infância.
Os políticos, os heróis da história, os líderes religiosos ou não, as pessoas comuns que andam nas ruas, as pessoas que dormem nas ruas e até mesmo os criminosos ou os que estão presos... também tiveram infância.
E o que será que aconteceu no meio do caminho ? A maioria dessas pessoas, brincaram na terra, fizeram bolhas de sabão, cresceram com as avós, com os pais ou com algum responsável (exceto alguns casos, é claro). Uns brincaram de bolinha de gude, outros brincaram de pega-pega. Alguns se arrebentaram andando de bicicleta, e muitos (inclusive eu e sua mãe - já bem grandinhas), correram depois de tocar uma campainha.
Mas nem sempre toda a felicidade do mundo que temos na infância (ou não) é suficiente para sanar as faltas que temos no decorrer da vida. As pessoas crescem e mudam um pouco. Mas lá no fundo, a maioria de nós (adultos) sentimos falta da nossa infância. As pessoas que mais amávamos estão lá... na nossa infância. Todos vivos e reunidos, fazendo um agrado para nós, enquanto pequenos. E mesmo toda lição que eles tentaram nos passar, não foi suficiente para aprendermos lidar com a nossa vida.
Aproveite cada momento da sua infância e da sua família. São os bens mais preciosos que ganhamos.
Alguns amigos acabam virando nossa família também. E acredite, é lindo ter um irmão ou uma irmã para sorrir e chorar. É por essas e outras que tenho um afeto imenso por vocês.
Ninguém nesse mundo vai conseguir apagar uma lembrança daquilo que seus olhos viram, ou aquilo que você aprendeu. Cada um sabe a história que carrega, lembre-se sempre disso antes de julgar as pessoas: Você não as conhece.Você não sabe de onde veio e nem o que essa pessoa viveu.
Esse é só um parênteses do que você vai aprender por aí ... mas fica a dica.
Até a próxima,
Tia Peroba.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Para a Rafa...
Querida Rafa,
Vou te contar a ocasião em que conheci sua ilustre mãe. Para começar...
Me despedir de minha mãe na rodoviária. Minha mãe, a mulher mais valente e dura que já conhecera até então, estava com os olhos marejados enquanto eu olhava pela janela do ônibus.
Mas enfim, peguei o ônibus e fui rumo à Mariana/ MG. O destino era a UFOP. Mas antes disso eu tinha que ir para a minha nova casa: a República Irmandade. Chegando em Mariana acordei sua mãe as sete da manhã, perguntando como fazia para chegar na república. Detalhe: ELA ODIAVA ACORDAR CEDO.
Ao chegar lá com todas as malas do mundo, fui gentilmente recebida com um sorriso bem falso das sete e meia da manhã. Uma cara de sono fantástica, uma pia com louças mal lavadas e garrafas de cervejas escondidas. mas mesmo assim, coitada, ela me apresentou a casa e apresentou meu quarto.
Eu estava ridícula, com uma blusa gigante e um tic tac na cabeça. Não contei, mas morávamos à beira de um esgoto, e ao lado da nossa vizinha e proprietária da nossa casa... a odiadora de estudantes educados e reservados: Maria.
Lá estava ela, Brat'z. A negrinha magrelinha e com cabelos de boneca. toda de preto, como sempre, com argolas e piercings nas orelhas, assistindo Ana Maria Braga. Na ocasião, Ana Maria Braga estava imitando uns jovens descolados e tentava inutilmente dançar como eles, Ela não conseguia e era bizarro. Naquela manhã, conheci mais dois amigos de sua mãe. E pela primeira vez, conheci seu sorriso também. Eu não sabia, mas eu meio que te conheci também...
Ela foi simpática e me levou até o R.U. do ICHS (você vai ouvir muitas coisas sobre o ICHS e sobre o "R.U" também) onde conheci minhas colegas e hoje amigas: Pucca, Kalunga, Baby e Barbie.
A pessoa quem você chama docilmente de tia Barbie estava contando como ela teve que trabalhar com bafo de pinga em outras ocasiões. Tia Barbie, Tia Pucca, Tia Kalunga e tia Baby foram as melhores pessoas que conheci naquele dia, e foram e são ótimas amigas.Tem também a tia Mini, mas acho que não a conheci naquele dia.
A sua mãe era uma metaleira toda tatuada que sabia cantar Sandy&Junior como ninguém. Falava de futebol e de Motorhead com os caras... mas quando chegava em casa, dançava ao som de Seu Jorge e balançava a cabeleira fazendo caras e bocas cantando músicas em espanhol.
Desde que a conheci, ela foi e é uma das melhores amigas e pessoas que tive a oportunidade de conhecer.
De vez em quando ela me contava alguma coisa de sua história, de seu passado. Mas sempre guardou seus vários segredos. Percebi que ela tinha uma visão de mundo incrível e que eu poderia aprender muito com ela. e realmente aprendi. Hoje sei fazer macarrão e aprendi que não é bacana passar aquele esmalte com brilho de purpurina nas unhas. Não é descolado, mas cantar Sandy&Junior sim...
Então... fomos para os Rock's e ... aprendi muitas coisas... Me diverti muito com ela. E dá uma saudade da nossa vida de Mariana.
Toda a possibilidade de continuar nossa amizade "a la Mariana" foi brevemente interrompida. Tanto para ela, como para mim. Sua mãe voltou para casa mais cedo. E mais tarde, foi a minha vez. Não lamento por nada disso. Tanto eu, quanto ela, tivemos uma oportunidade mestra de ver e sentir coisas que antes não sabíamos existir. Ela, aprendendo sobre uma nova vida... e eu, aprendendo sobre a morte. Hoje temos um presente lindo que a vida deu... você. E você não faz a menor ideia de o quanto você nos fez crescer e do quanto você fez sua mãe sorrir.
Hoje você tem dois anos e já é mais esperta que eu. Sim, você é. Mas logo que você começar a ler (tipo, daqui a dois meses, sua gênia!) você vai ouvir histórias narradas por mim, a tia Peroba.
Histórias de Mariana, histórias minhas, talvez histórias suas... Mas o importante é que eu possa retribuir o presente que ganhei dessa vida... a amizade.
Que a nossa história não seja esquecida, não pelos outros, mas por nós.
CARPE DIEM meninas... Carpe diem.
Vou te contar a ocasião em que conheci sua ilustre mãe. Para começar...
Me despedir de minha mãe na rodoviária. Minha mãe, a mulher mais valente e dura que já conhecera até então, estava com os olhos marejados enquanto eu olhava pela janela do ônibus.
Mas enfim, peguei o ônibus e fui rumo à Mariana/ MG. O destino era a UFOP. Mas antes disso eu tinha que ir para a minha nova casa: a República Irmandade. Chegando em Mariana acordei sua mãe as sete da manhã, perguntando como fazia para chegar na república. Detalhe: ELA ODIAVA ACORDAR CEDO.
Ao chegar lá com todas as malas do mundo, fui gentilmente recebida com um sorriso bem falso das sete e meia da manhã. Uma cara de sono fantástica, uma pia com louças mal lavadas e garrafas de cervejas escondidas. mas mesmo assim, coitada, ela me apresentou a casa e apresentou meu quarto.
Eu estava ridícula, com uma blusa gigante e um tic tac na cabeça. Não contei, mas morávamos à beira de um esgoto, e ao lado da nossa vizinha e proprietária da nossa casa... a odiadora de estudantes educados e reservados: Maria.
Lá estava ela, Brat'z. A negrinha magrelinha e com cabelos de boneca. toda de preto, como sempre, com argolas e piercings nas orelhas, assistindo Ana Maria Braga. Na ocasião, Ana Maria Braga estava imitando uns jovens descolados e tentava inutilmente dançar como eles, Ela não conseguia e era bizarro. Naquela manhã, conheci mais dois amigos de sua mãe. E pela primeira vez, conheci seu sorriso também. Eu não sabia, mas eu meio que te conheci também...
Ela foi simpática e me levou até o R.U. do ICHS (você vai ouvir muitas coisas sobre o ICHS e sobre o "R.U" também) onde conheci minhas colegas e hoje amigas: Pucca, Kalunga, Baby e Barbie.
A pessoa quem você chama docilmente de tia Barbie estava contando como ela teve que trabalhar com bafo de pinga em outras ocasiões. Tia Barbie, Tia Pucca, Tia Kalunga e tia Baby foram as melhores pessoas que conheci naquele dia, e foram e são ótimas amigas.Tem também a tia Mini, mas acho que não a conheci naquele dia.
A sua mãe era uma metaleira toda tatuada que sabia cantar Sandy&Junior como ninguém. Falava de futebol e de Motorhead com os caras... mas quando chegava em casa, dançava ao som de Seu Jorge e balançava a cabeleira fazendo caras e bocas cantando músicas em espanhol.
Desde que a conheci, ela foi e é uma das melhores amigas e pessoas que tive a oportunidade de conhecer.
De vez em quando ela me contava alguma coisa de sua história, de seu passado. Mas sempre guardou seus vários segredos. Percebi que ela tinha uma visão de mundo incrível e que eu poderia aprender muito com ela. e realmente aprendi. Hoje sei fazer macarrão e aprendi que não é bacana passar aquele esmalte com brilho de purpurina nas unhas. Não é descolado, mas cantar Sandy&Junior sim...
Então... fomos para os Rock's e ... aprendi muitas coisas... Me diverti muito com ela. E dá uma saudade da nossa vida de Mariana.
Toda a possibilidade de continuar nossa amizade "a la Mariana" foi brevemente interrompida. Tanto para ela, como para mim. Sua mãe voltou para casa mais cedo. E mais tarde, foi a minha vez. Não lamento por nada disso. Tanto eu, quanto ela, tivemos uma oportunidade mestra de ver e sentir coisas que antes não sabíamos existir. Ela, aprendendo sobre uma nova vida... e eu, aprendendo sobre a morte. Hoje temos um presente lindo que a vida deu... você. E você não faz a menor ideia de o quanto você nos fez crescer e do quanto você fez sua mãe sorrir.
Hoje você tem dois anos e já é mais esperta que eu. Sim, você é. Mas logo que você começar a ler (tipo, daqui a dois meses, sua gênia!) você vai ouvir histórias narradas por mim, a tia Peroba.
Histórias de Mariana, histórias minhas, talvez histórias suas... Mas o importante é que eu possa retribuir o presente que ganhei dessa vida... a amizade.
Que a nossa história não seja esquecida, não pelos outros, mas por nós.
CARPE DIEM meninas... Carpe diem.
Assinar:
Postagens (Atom)